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Coluna | TRADIÇÃO X INOVAÇÃO = EMOÇÃO

By Posted on 3 m read

música para casamento DJ Galalau

Em pouco mais de dez anos trabalhando profissionalmente como DJ, fiz inúmeros casamentos, a esmagadora maioria pautada por uma seleção musical fora do senso comum das festas matrimoniais. Neste período, percebi que os cortejos cerimoniais também foram deixando algumas formalidades de lado e a quantidade de casamentos realizados fora das igrejas cresceu. Mas as mudanças no cerimonial não passaram somente pela escolha de um lugar diferente e, a seguir, uma festa despojada.

Outro dia, me peguei refletindo sobre a multiplicidade de músicas utilizadas num único cortejo: uma canção para o noivo, outra para os padrinhos, outra para os pais do noivo, mais uma para os pajens e daminhas e, finalmente, a noiva. Enfim, um arco-íris sonoro que, certamente, serve para particularizar aquele momento tão definitivo para o casal. Porém observo que esta escolha não tem contribuido para um fator essencial: a emoção. E pergunto: onde foi parar a Marcha Nupcial? Teria ela sido relegada somente à tradição cerimonial de algumas igrejas e catedrais?

O questionamento me levou a refletir que a Marcha Nupcial, e toda sua tradição, vai além da música em si e suas histórias curiosas e controversas. Tem uma força emotiva ancestral e tão arraigada ao nosso inconsciente coletivo que ainda não vi nenhum outro tema musical ter um impacto tão forte e grandioso quanto as composições de Mendelssohn ou Wagner. Sim, a tradicional Marcha Nupcial tem sua história pautada em duas composições diferentes. Falo em tom de curiosidade porque já me peguei cantarolando uma música achando que era a outra.

E mais curioso é o fato de que nenhuma destas composições serviu, primeiramente, a um casamento, ao menos, não à um real. A Marcha Nupcial de Richard Wagner refere-se à um trecho da ópera “Lohengrin” em que, num determinado momento, o noivo abandona a esposa e ainda mata alguns convidados do próprio casamento. Trágico, não?! Já a marcha de Felix Mendelssohn, foi inspirada na obra “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, uma comédia que, em certo ponto, trata o amor de forma irônica e incompreensível.

Em tempos de personalização musical para o cortejo da cerimônia e mesmo a despeito das histórias das marchas, decididamente nada românticas ou alegres, é curioso perceber que foi justamente a inovação que levou à tradição das marchas nupciais que conhecemos. Reza a lenda que a princesa inglesa Victoria fez questão de selecionar as músicas para cerimônia do casamento dela com o príncipe Frederick William, em 1858. Adivinhem? Ela escolheu para entrada o tema de Wagner e para o cortejo da saída a Marcha Nupcial de Mendelssohn.

Enfim, acredito na criatividade em favor da personalização mas penso que o foco da cerimônia é tocar o coração de todos os familiares, amigos e convidados. E a noiva é quem dá a última palavra, não é mesmo Victoria?

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XOXO
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